segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
:: o homem é o ser supremo para o homem ::
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
:: o amor acaba ::
domingo, 6 de janeiro de 2008
:: simpatia pelo demônio ::
(sugestão de acompanhamento musical: ler ao som de Fiona Apple, "A Mistake" ["i wanna make a mistake, i wanna do it on purpose... unpave my path..."]).
"...e foi me dando uma irritação, fui pensando na minha vida e me lembrei que vou ao supermercado toda segunda, e faço a unha toda terça, e toda quarta-feira minha sogra almoça conosco, e me deu uma raiva desses compromissos que a gente inventa para se sentir com os pés no chão e para evitar sair por aí fazendo besteira, então eu pensei: vou fazer besteira, vou fazer. Tive vontade de quebrar a casa toda. Derrubar os enfeites da cristaleira, quebrar tudo que fosse de vidro, jogar cadeiras pela janela, só pelo prazer do estrondo, mas antes que eu iniciasse minha carreira de vândala comecei a chorar, e foi um choro tão sentido que você até riu de mim, pensou "hoje ela se entrega, hoje ela cai", mas eu não caí, e meia hora depois estava dobrando as roupas das crianças que estavam todas esparramadas pelo chão. (...) Você é forte, demônio. Eu também sou. Mas rogo por trégua, jogo a toalha, te peço de joelhos: tome um chá de sumiço, vá dar uma volta, aportar em outra alma, que esta minha já está gasta e não vê graça alguma nas suas provocações. Quero que você me deixe, porque simpatizo cada vez mais com você."
And if you ask me, ela é um dos maiores jovens talentos das letras nacionais. Adoro. Até o Caio Fernando Abreu pagava-pau!
...e como já dizia BOB DYLAN (e o Homem vem aí!):
YOU CAN'T HIDE IN A DARK STREET FROM THE DEMON WITHIN.
Postado por Unknown às 19:41 |
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domingo, 16 de dezembro de 2007
:: artaud e os loucos ::
[1]: “...o que é um autêntico alienado? É um homem que preferiu tornar-se louco, no sentido em que isto é socialmente entendido, a conspurcar uma certa idéia superior da honra humana. Foi assim que a sociedade estrangulou em seus asilos todos aqueles dos quais ela quis se livrar ou se proteger, por terem recusado a se tornar cúmplices dela em algumas grandes safadezas.Porque um alienado é também um homem que a sociedade se negou a ouvir e quis impedi-lo de dizer insuportáveis verdades.Mas, neste caso, a internação não é a única arma, e a união concertada de homens tem outros meios para vencer as vontades que ela deseja quebrar. Fora das pequenas bruxarias das feiticeiras de província, há os grandes passes de enfeitiçamentos globais dos quais toda consciência vigilante participa periodicamente.
(...) É assim que algumas raras boas vontades lúcidas que se têm debatido sobre a terra encontram-se, em determinadas horas do dia ou da noite, no fundo de certos estados de pesadelo autênticos e despertos, rodeados da formidável sucção, da formidável opressão tentacular de uma espécie de magia cívica que se verá logo aparecer exposta nos costumes.”
[2]: “... uma sociedade deteriorada inventou a psiquiatria para se defender das indagações de certas mentes superiores, cuja capacidade de adivinhar a incomodava. Gérard de Nerval não era louco, porém disso foi acusado com o propósito de lançar ao descrédito certas revelações capitais que estava prestes a fazer...”
[3] - “...é crapulosamente impossível ser psiquiatra sem estar ao mesmo tempo marcado em definitivo das mais indiscutível loucura: a de não poder lutar contra este velho reflexo atávico da turba que torna qualquer homem de ciência, submetido à multidão, uma espécie de inimigo-nato e inato de todo gênio. (...) A psiquiatria nasceu da turba plebéia de seres que quiseram conservar o mal na fonte da doença e que, assim, extirparam de seu próprio nada uma espécie de guarda suíça para deter em seu nascedouro o impulso de rebelião reivindicador que está na origem do gênio. Há em todo demente um gênio incompreendido em cuja mente brilha uma idéia assustadora...”
[4] - “No fundo de seus olhos de carniceiro, que parecem depilados, Van Gogh se entregava sem interrupção a uma dessas operações de alquimia sombria, que tomam a natureza por objeto e o corpo humano por caldeirão ou cadinho.”
[5] - “Eu mesmo passei nove anos num asilo de alienados e nunca sofri da obsessão do suicídio, mas sei que, a cada conversa que tinha com um psiquiatra, de manhã, na hora da consulta, sentia vontade de me enforcar por ver que não podia estrangulá-lo.”
[6] - “...ninguém se suicida sozinho. Ninguém jamais esteve sozinho ao nascer. Ninguém tampouco esteve sozinho ao morrer. Mas, no caso do suicídio, é necessário um exército de gente má para levar o corpo a fazer o gesto contra a natureza de se privar da própria vida.”
[7] - “quanto à orelha cortada, é lógica direta,
e, repito,
quanto a um mundo que, dia e noite, e cada vez mais,
come o incomível,
para levar até o fim sua má intenção,
nada se tem a fazer, chegado a este ponto,
senão tapar-lhe a boca.”
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
:: Pisca-Pisca ::
[...] A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e brinca; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos; pisca e geme os reumatismos; por fim pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre? - perguntou o Visconde.
- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?
( trechinho d'um livro do monteiro lobato que eu infelizmente não li na infância - tomara que eu nasça de novo, de preferência sabendo português e num tempo depois de Lobato [será que dá pra renascer no passado?], só para ter o prazer de ser criança e ler um treco desses... conheci no museu da língua portuguesa no tri-legal tour que fizemos eu e a carol por lá um tempinho atrás, no tempo da exposição da clarice, e agora roubei o trecho, ressurgido no meu caminho, do scrapbook da Ellen... Acho um dos trechinhos mais adoráveis da literatura brasileira inteira. :)
Postado por Unknown às 16:35 |
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quinta-feira, 8 de novembro de 2007
:: amai para entendê-las! ::
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,



